Vender com perda de combustível: grande varejo fecha a porta, governo persiste

O governo anunciou na quarta-feira que estava a “manter” o seu plano de permitir a venda de combustíveis com prejuízo, apesar da oposição das grandes marcas retalhistas, que gerem cerca de metade das estações de serviço em França.

O Carrefour não vai “vender com prejuízo” combustível, anunciou o seu CEO, Alexandre Bompard, durante uma audiência de manhã perante a Comissão de Assuntos Económicos da Assembleia Nacional.

A proibição “da revenda com prejuízo tem sido um princípio muito importante do comércio desde 1963”, disse Bompard, que também é presidente da Federação do Comércio e Distribuição (FCD), que representa grande parte do setor.

“Não devemos abrir esta caixa de Pandora sob o risco de enfraquecer tanto o equilíbrio dos setores como a equidade territorial entre os consumidores”, segundo o gestor.

A mesma história no E.Leclerc e no Intermarché, também ouvida no âmbito das mesas redondas preparatórias para o exame do projecto de lei sobre negociações comerciais anunciadas pelo governo, cujos representantes anunciaram na sequência do Carrefour que não vão “fazer” vendas a um preço perda também.

Dominique Schelcher, CEO do 4º maior player do setor Système U, também indicou que não estava planejando nenhuma operação de vendas deficitária.

O CEO do grupo Carrefour, Alexandre Bompard, antes da assembleia geral anual da empresa em Aubervilliers, norte de Paris, em 26 de maio de 2023 (AFP - Thomas SAMSON)
O CEO do grupo Carrefour, Alexandre Bompard, antes da assembleia geral anual da empresa em Aubervilliers, norte de Paris, em 26 de maio de 2023 (AFP – Thomas SAMSON)

Os gestores de Leclerc, Carrefour, Intermarché, Système U, Casino e Auchan já haviam sido convocados na manhã de terça-feira a Bercy pelo ministro da Economia Bruno Le Maire.

Bercy, por sua vez, indicou que, durante esta reunião com os chefes da distribuição, “Bruno Le Maire lembrou também que as estações independentes beneficiarão de uma compensação” e que serão “acompanhadas por um plano plurianual de transformação que visa torná-las possíveis para oferecer novos serviços, como estações de carregamento rápido.

– TotalEnergies se opôs –

Os grandes supermercados gerem cerca de metade das estações de serviço de França e são os principais afetados pela medida.

Do lado da TotalEnergies – que gere um terço das estações do país mas para a qual não se destinava o projecto governamental de revenda com prejuízo – o seu patrão, Patrick Pouyanné, disse terça-feira à noite que não pretendia descer abaixo do limite máximo de 1,99. euro por litro de combustível que introduziu este ano.

Através do seu ministro das Contas Públicas, Thomas Cazenave, o governo afirmou na manhã de quarta-feira que estava a “manter” o seu plano de autorizar vendas com prejuízo.

Esta possibilidade, destinada a combater o aumento dos preços dos combustíveis, “não é uma obrigação”, notou o ministro na Rádio Sud, explicando que o projecto de lei que o governo está a considerar para uma desejada entrada em vigor em Dezembro era como dizer “garota!” aos distribuidores que recentemente garantiram que não poderiam baixar muito os preços dos combustíveis porque não estavam autorizados a vender com prejuízo.

“Prefiro negociar com os distribuidores do que pedir ao contribuinte que financie um desconto que custaria 12 mil milhões de euros”, disse Cazenave.

Um fundo, de valor ainda em estudo, seria desembolsado pelo Estado para ajudar os pequenos distribuidores que seriam muito afetados pela concorrência que venderiam com prejuízo.

No sábado, a primeira-ministra Elisabeth Borne levantou um antigo tabu ao anunciar que os combustíveis poderiam ser vendidos com prejuízo. Esta medida, que será objeto de projeto de lei, deverá entrar em vigor no início de dezembro por um período de seis meses.

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